Último solilóquio

Sim, há uma linha tênue entre o amor e ódio. Estou me equilibrando nela. Mas ainda não caí. Segurei até que pudesse atravessar para o outro lado. Sim, “estamos na sarjeta, mas olhamos para as estrelas”, de certa forma estamos lá, mas o que interessa é a felicidade. Não, não vou ficar sozinho como posso ter sido convencido. Vivi uma experiência rica. Rica de erros e acertos que me puseram a pensar no valor da Liberdade – não confundam, incautos, com libertinagem – fato que me torna mais reticente a alguns conceitos. Sim, tudo pode mudar até mesmo pelo valor que damos às convenções. Não há nada mais fixo. Nem mesmo o amor. O amor precisa ser renovado, não se comporta nesse modelo de assunção de verdades. Sim, olho com mais calma agora para o passado. Sei o que é fazer e deixar de fazer, coisas que estão ligadas a um processo deliberativo de responsabilidade. Nada mais.

Sim, respeito e confiança merecem tempo. Não, não sou uma pessoa confiável de começo. Preciso saber onde estou e para onde vou no barco dos outros. E sim, tem luz no final do túnel, sempre. Basta passar o limpa vidros da desconfiança, usando o escudo da não-imersão-total; basta segurar com firmeza o freio-de-mão do carro. E sim, deixe-se soltar com o tempo. O tempo. Sim, ates meu inimigo. Mas hoje sei lidar com ele, como se fosse a pedra de Sísifo. Encaro o desafio todo dia.

Sim, parece que me tomo por um ar diferente que me envolve. Sim, isso! Mais dono de mim, mais senhor de decisões próximas. Não, não estou amargurado, como querem muitos. Estou apenas um pouco mais malicioso, mais experiente!

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Um comentário em “Último solilóquio

  1. Afinal, ser malicioso e experiente são qualidades, não? Não sei, ainda, apesar de já ser muitíssimo velho, se há mesmo uma línha tênue entre o amor e o ódio. Acho que são a mesma coisa. Como dizia a belíssima canção que a Elis eternizou ” o amor e o ódio se irmanam na fogueira das paixões”. Até no cérebro, nas imagens de ressonância, amor e ódio estão lá, juntinhos, bem como o prazer e a dor, lado a lado. Mais um lindo texto seu, rendilhado de pequenos poemas à cada linha, que nos remetem à reflexão e ao sentir. Obrigado!
    Ricardo Aguieiras
    aguieiras2002@yahoo.com.br

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