Coisas boas têm seu tempo para acontecer (reflexões sobre um pedido para entrar na história de sua vida)

 

ESTOU PRONTO PARA ENTRAR DE NOVO NO CAMPO DO AMOR – E NÃO DEVERIA SER DIFERENTE…

Agora só um rio caudaloso me enche de vazão. Canais fechados. A porteira só se abre se ele quiser fugir. Rio violento e tenro, como a palmada e o toque sutil. O rio tem sotaque forte como quem tem casos para contar. Nunca me sinto vazio!

(…)                    

Ele pode ser mais um, mas mais um que soma, não subtrai, não divide. Tampouco se multiplica, espalha-se como vinho sobre a toalha branca. Nódoa que pode ser eterna. Mas ele vem brando como vento de tarde, beira-mar, sorriso aberto. Que seja mais um, mas é talvez o que queira como primeiro. Primeiro em tudo, como se eu experimentasse tudo o que é bom de novo. De novo, amor!

(…)

Os olhos falam e sorriem pra mim. A constância surpreende minha incredulidade. Sou solicitado para deixar o escudo em casa. Reapareço com o champanhe e taça nas mãos. A entrega é certa. Já havia sido no primeiro beijo parcelado em três vezes. A última seria a conseqüência final. Este tempo presente em que tudo é tão intenso quanto a passagem pela vida!

(…)

O abraço à noite me remete a algo bom, já vivido. Nada é igual, é a diferença do gênero carinho. Mas a espécie dele é melhor, é quase palpável. Poderia até guardar num vidrinho só pra mim. Viver disso? Não, tenho a dose diária se quiser. Ele também sabe o que é intensidade. Sabemos. É felicidade de começo.

(…)

Vivendo cada segundo. O tempo não é de tantos planos futuros. Já gastei meu milhão de reais. Perdulário da vida assumidamente. E ele (não é o dinheiro) vem numa onda que me atinge. Para meu ritmo como se me tirasse do curso das coisas ruins. Leve impacto, grande percurso, forte reordenar. As mãos parecem ser juntar, unir para seguir passos lado a lado. Lado a lado não se houve mais. Antes era meu curso, agora é simplesmente nosso!

(…)

E pediram para mim felicidade. O que é isso se só sei do que é para sempre? Felicidade é coisa para sempre? Contingências me fazem mal. Gosto do que é duradouro, como a vida e a luz do sol. Existe coisa parecida, que pode dar vida em si, luz e calor? Que é isso que me toma agora como eventual e eterno ao mesmo tempo? É o beijo dele, meu leve desespero ou o tal destino?  Essas coisas misturadas querem me dizer algo. O que será meu Deus?

(…)

Não estou mais triste. O que era isso meu Deus? Não era meu verdadeiro eu, mas fazia parte assim como a lua prescinde do sol. Nunca se encontram. Mas as vezes perduram mais tempo que o outro. Minha face é hoje da felicidade – agora não me pergunte se tem a ver com sol ou lua, convencionalmente tem a ver com luz, calor, sol. Não importa. O que importa e merece ser registrado é que guardei o escudo em casa e abri o peito. Seja o que Deus quiser, ou o que nós quisermos…

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6 comentários em “Coisas boas têm seu tempo para acontecer (reflexões sobre um pedido para entrar na história de sua vida)

  1. Em 22/07 você postou isso. Pelos comentários, parece que está intrinsecamente relacionado a sua vida pessoal. Adoro finais felizes, mas antes disso, adoro mesmo o presente, o dia-a-dia, a constância dos momentos felizes em nossa história de vida.
    Perdão se estou sendo atrevida, mas gostaria de ler a continuação desse texto em linhas de felicidade e realização (sou romântica…).
    Um grande Abraço.

  2. O amor eh anzol que fisga na surpresa,
    Dos momentos imaginários que só existem em profundas camadas
    De um lobo cerebral da alma, que nao tem lobo nem nada
    Área mal estudada e delimitada para os anatomistas tolos
    Que, como eu, insistem em mais uma olhada
    Para ver se existe, se pode ser entendida e analisada.
    O amor eh um anzol que nao se pode chamar de triste, alegre
    Violento ou pacifico, provável ou possível
    Porque seu formato nao eh um aculeo
    Eh uma lembrança de pedaço de barba, a curva de um lábio,
    Com sorte o sabor de uma secreção, que se deixou fluir de um para o outro
    Com azar uma palavra, ou muitas, que foram mal proferidas
    Deixando feridas que ardem, que gritam porquês.
    O amor eh um anzol que fisga, como todo anzol vem alguém que tira
    Dizem que eh o tempo quem tira, mas eu duvido
    Pois já vi amores longos, eternos, que quando lhes tiram o anzol
    Enredam em redes mais cúmplices, mais difíceis de retratar em palavras
    Das quais nao se livra nunca.
    Se querer o amor eh bom? Essa pergunta nao devia ser feita, esta errada
    Porque, se o amor nos quer e lança seus anzóis pra todo lugar
    Nao há como escapar. Ele vira inesperado, surpreendente
    Para ferir, arrastar, puxar-me para dimensoes onde nao quero ir
    Nem me deixar devorar.
    O amor nao me deixa mais ansioso e voraz.
    Ele me deixa quieto, cetico, valoroso
    Mas sei que só me espreita numa isca em algum recanto do futuro.

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