Por que ser gay?

O que restou ao homem entre a angústia e a ansiedade? Agora que o Cristo está morto – não volta, não voltou – o que fazer? Resta lutar contra a alma, adotar a luta do corpo, pelo corpo.  A nova causa para a rebeldia é a sua essência. Sê gay! Essa é a nova esperança e causa depois das guerras.

É a autêntica liberdade da impositiva burguesa patriarcal. É uma possibilidade para a falta de entendimento do real compromisso com uma verdade relativa. “Eu não tenho mais por que gostar de bola, coçar o saco, ser provedor de uma família tradicional e já posso casar como quero!” Há uma antítese para os padrões que fundamentaram o homem ao longo dos séculos.

Se a preocupação é com o futuro, ser o que não se poderia ser;  estar gay parece ser um solução para o cartesianismo da teleologia. Seria? Tudo parece o mesmo, o tempo todo. Mas SER gay é um estado diferente. Seria uma tautologia para uma tendência existencialista? Na dúvida subsiste uma esperança.

A percepção é de uma sensibilidade ambivalente: o poder da reprodução e o poder da contenção. Mas não apenas o risco existe, tem também a libido. E o que é isso de SER – não estar – gay realmente?

Há contra o que lutar? A homofobia é uma luta justa, uma bandeira a ser levantada contra os radicais – que ecoam a suposta ira de Deus – existe o discurso da paz, do respeito, de cidadania. Nunca antes democratizamos tanto e ensinamos a usar essas palavras. Lutamos contra esse ódio em nome de Cristo, essa marcha em torno da ira. Temos uma luta contra o convencionalismo operante que oprime, segmenta, seleciona e certifica o maniqueísmo alienante. Desde que somos livres, podemos não ser os mesmos a cada dia; desde  Focault é chato ser o mesmo sempre. Mas existe um fundamento contingente que dá identidade e corpo.

Então, o que é reforma agrária hoje em dia? O que é luta de classe? O que é independência e colonialismo? Ainda há lutas para se lutar (que não a da fome)?

Eu tenho uma e espero que daqui a alguns anos eu possa relembrar dos destroços e relíquias da guerra. A pior guerra é aquela que travamos internamente. Eu já venci a minha. E se se pode dizer : sê homem menino; pode-se também dizer: sê gay homem!

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