Acho que agora it’s over, baby!

Vontade de entender toda a tristeza do mundo e aquilatar a minha entre as mais baratas. Vontade de entender minha sofreguidão para com o dilatar das pessoas. Vontade de abrir minhas asas e superar essa barreira de montanhas imóveis, altas, óbvias.

O que fazer para superar essa dor que verte lágrimas secas, que não encontram palavras para nominar esse sentimento na sua depuração final? É fraqueza? É tristeza somente?
O que fazer com essa atribuição teleológica de trampolim – antes fosse ponte levadiça!

Preciso entender o pesar desta balança onde nunca preciso quanto valho; quanto vale meu suor; meu corpo gratuito. Essas medidas me facilitariam ao acesso de minha própria natureza. Talvez residisse aí o segredo da abertura do cofre interno. E poderia encontrar dentro de mim a saída para essa inércia de agora.

Decepção é a palavra que me orienta os sentidos agora. Mas resta saber se ela está em mim ou no outro que me enxerga, mas que teme o confronto. Eu sou o ideal, eu sou um possível caminho. No entanto, pra quem tem medo, eu, talvez, seja um obstáculo mortal. Um espelho? Ou uma possibilidade remota?

Eu poderia te falado de traição, mas quis falar de decepção. Traição pressupõe uma premissa de compromisso, e o que havia era apenas o precoce “eu te amo”; nada mais. De nada mais precisávamos, justamente, porque, lá no final do amor, alteia-se o ódio.

Eu poderia ter falado de compromisso, mas isso não havia. Havia apenas um contrato velado de temporada de amor. E o que é isso?

 

Alguém pode me ajudar por favor?

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5 comentários em “Acho que agora it’s over, baby!

  1. As pedras do caminho deixe para trás
    Esqueça os mortos eles não levantam mais
    O vagabundo esmola pela rua
    Vestindo a mesma roupa que foi sua
    Risque outro fósforo, outra vida, outra luz, outra cor
    (It’s All Over Now, Baby Blue) (Caetano Veloso/Péricles Cavalcanti/Bob Dylan)

  2. PENSEI NESTA MÚSICA
    PENSEI EM THE END OF THE WORLD DOS PET SHOP BOYS:
    “IT’S JUST A BOY OR A GIRL, IT IS NOT THE END OF THE WORLD, IT IS NOT TTHE END.”
    E NÃO É MESMO.

  3. Ah, as dores humanas! Meu mestre Buda dizia que o sofrimento dos homens vem dos seus apegos. Eis uma das 4 Nobres Verdades mais fáceis de se entender e uma das mais difíceis de se praticar quando temos que abandonar nossos desejos e apetites infantis para seguirmos em equilíbrio o Caminho do Meio, ou a nossa evolução.
    Nossos apegos são tão atrativos e aprisionadores!
    Como entender sem dor a transitoriedade de um amor?
    Como aceitar sem tristeza que aquela pessoa amada não nos pertence, ao passo que nem nós mesmos, no final, somos donos de nossas próprias vidas?
    É um caminho difícil, mas não impossível.
    A decepção é fruto inevitável de nossas utopias, de nossas idealizações. Vamos tirá-las do seu patamar falsificado! Vamos enxergar as coisas como elas são, sem nos enganar com as distrações que são como chocalhos no berço de um bebê.
    O amor de temporada deixa de ser amor? Mas diga-me o que não é temporada nessa vida curta e impermanente que vivemos?
    É preciso mergulhar de cabeça em todas as emoções e aceitar as mudanças que não cessam. Não dá para viver meia-vida. Mas também não precisamos perder nosso tempo limitado com aporias…
    Vamos erguer a cabeça e dar a volta por cima, sempre. Vamos nos valorizar ao máximo, visto que as outras pessoas já tratam de baixar o nosso preço.
    Beijos meu querido!

  4. Projeção, querido meu. É projeção.
    Nossa vida é muito escorregadia.
    quando nascemos, aprendemos a não segurar em nada.
    Aprendemos a nada lembrar,
    Nascemos sem memória, só sentimentos.
    Mas de tanto sentir, essa vida escorregadia de memória, começa a agarrar algumas.
    Isso define amadurecer, é secar-se, e o que nos seca são as decepçoes
    Quando mais seco, mais maduro
    quando mais maduro, mais as coisas se prendem a nós.
    e isso é involuntário.
    As projeções são a forma involuntária de nosso espírito agarrar-se às coisas.
    Não se preocupe.
    Se está doendo, é porque está desprendendo
    Desprendendo, vai se tornando úmido e assim você dará a volta contrária.
    Vai deixando a vida ficar escorregadia, o espírito livre que transpassa pelas coisas sem pegá-las.
    As memórias não serão mais sentimentos
    E Você vai nascer de novo

  5. Poxa! Não posso esconder que as dores descritas no post não são inventadas, nem de um outro, ou de um amigo. Sou eu mesmo, nu e cru.
    Então vejo as palavras aqui registradas de meus amigos como um grande conselho.
    O que posso dizer é obrigado e desculpa pelo tom de diário a esses últimos posts. É que se não verter em palavras essas dores possivelmente vá viver com mais tristeza essas emoções.
    Obrigado ao meu irmão, ao Kiko e ao Tiago!

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