Um silêncio pesado

Você foge e não diz adeus. Não me dá a possibilidade de rever pela última vez o rosto que tinha na memória. E nada de me deixar te perguntar: o que fazer? Tento encarar seu silêncio como coragem, altivez. As últimas palavras foram suas. Onde fica minha verdade? Fico em meio a devaneios do que deve ser feito. Como continuar sem a doçura de teu sorriso leve. Será que és o mesmo que tenho aqui nesse resto de desespero? O tempo me ensinará a aprender. O que quer que seja irei guardar, cuidar para que eu não consiga entrar de novo em seu coração. Ficarei parado como beija-flor em êxtase, mas sem rumo, de flor em flor. Que rumo este, hein? Que rumo tomamos em nome do amor, ou do que não sabemos nominar? Deveria ter pensado que as coisas poderiam ter sido vividas sem nome, sem destino, sem espera. Você vai embora. Em boa hora já não sei o que dizer. Preciso repensar o peso das palavras. Vai e vem, momentos de vitória, vai e vem, tenho momentos de inglória. Ficar parado. Ficar calado. Ir-me embora da sua vida.

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2 comentários em “Um silêncio pesado

  1. Pingback: Incontinência de sangue lamurioso « Sem Festas Póstumas

  2. ah Roberto, as vezes me confundo, sera que voce que é meu leitor? da minha alma?

    Ficar parado é o que basta, para ir deixando de viver aquela vida!

    ficar parado e a melhor forma de entrega e aceitacao…

    Escrevendo estamos parados? Roberto? Ajuda-me!!

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