Os Evangélicos são homofóbicos de fato?

 

Dia desses- adoro essa definição de tempo-, li um blog falando da existência de evangélicos bonzinhos, sem aqueles apelos registrados de fundamento secular. Eles se travestem sob o epíteto de Ala progressista; ou somos nós que os vemos assim?

Assuntos diversos colocam estes seguidores- os quais muitos deles se autoproclamam únicos detentores de um espaço no céu- num questionamento infindável do historicismo bíblico como verdadeira premissa de fundamento. Todos são enfáticos em defender de forma cega as convicções contadas no grande livro de histórias que é a Bíblia.

E sobre o assunto mais contraditado pelos evangélicos, além do aborto, da transfusão de sangue; o homossexualismo é ponto nevrálgico para a estabilidade da doutrina evangélica. Mas, dia desses, em conversa com um amigo evangélico que lê e estuda, na sua forma, a Bíblia, deu uma verdadeira aula sobre interpretação de texto bíblico. Quando solicitados para falar sobre homossexualidade, eles logo se referem a Levítico, para alegar o axioma da abominação. Mas se esquecem das histórias de Jônatas e Davi (1 e 2 Samuel) que são camufladas, ou até mesmo, escondidas nas transliterações amplamente deturpadas. Amor é mudado para amizade; a perseguição do Pai de Davi é desconsiderada. Enfim, a palavra é utilizada para benefício próprio. Não se lembram de que – agora me falha quem é o profeta- existem admoestações a mulher como impura; que ela deve se calar:

“Quando um homem e uma mulher se unirem com emissão de sêmen, se banharão e ficarão impuros até a tarde. Se uma mulher menstruar, ficará impura até sete dias após o término do fluxo, sendo que tudo o que ela tocar ficará impuro até a tarde. Se alguém tentar tocá-la ou tocar em um móvel deixado impuro por ela, ficará impuro até a tarde. Quem se juntar a ela durante este período ficará impuro por sete dias.
– Levítico 15:18-33.”

E me pergunto, e meu amigo responde prontamente, por que essas palavras são menosprezadas pelos eloqüentes pastores. Por que tantas admoestações a homens e mulheres e nenhuma referência ao amor – amor de alma: Eros, fileo e ágape- de Jônatas e Davi, que virou rei?

E quando volto minha atenção à política- a qual detesto, por razões intestinas-, pergunto –me por que essas vinculações seculares aos problemas humanos modernos. Por que se fala de bancada evangélica na Câmara, se todos deveriam trabalhar pelo conjunto da população? Por que essas disenções?

Aí, a política hodierna, herança de uma democracia desengonçada ratificada na política de favores que remontam a monocracia portuguesa. Então, sinto-me obrigado a votar na ideia transfigurada de que o voto obrigatório é exercício de cidadania. E então devo votar. E penso como deve ser esse voto. Devo votar em candidatos que me beneficiem por conta de pertencer a uma minoria desprezada? Ou devo vislumbrar o benefício maior de uma candidatura abrangente? O voto é uma arma. Mas ainda não pude vislumbrar o calibre e o potencial explosivo.

No entanto, superada essa fase do direcionamento, restando apenas a convicção de prestar um serviço para uma comunidade menor que minha causa e maior que minhas vontades. Então devo para aquele que contemple um discurso mais amplo, mais inclusivo. E minha única alternativa era Marina, mas ela é evangélica e por essa razão suspendi minhas expectativas. A bancada evangélica tomaria corpo e talvez se criasse uma barreira política para os pleitos das minorias LGBT. No entanto, era por pura falta de verdadeiro conhecimento da candidatura dela; de ler, de acompanhar suas entrevistas que me distanciei. E confesso que o discurso Meio-ambiente-orientado, deixava fraco o argumento de Marina. Porém, li recentemente que um pastor evangélico, psicólogo, Silas Malafaia, declinou de ajudar na campanha de Marina porque, segundo ele,  ela deturpou alguns institutos seculares dos evangélios. A reportagem falava de uma ala progressista da qual Marina parecia pertencer. E o fato deste pastor declarar sua saída da campanha dela, fez com que eu clareasse a certeza em quem votar. Não vou na onda da Dilma, apesar de me sentir um melhor brasileiro hoje; mas eu quero votar por convicções próprias.

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3 comentários em “Os Evangélicos são homofóbicos de fato?

  1. Marina Silva é contra casamento gay
    “Em relação ao casamento, o casamento é uma instituição de pessoas de sexos diferentes. Uma instituição pensada há milhares de anos. Não tenho uma posição favorável ”

  2. Tiago Miranda Marina Silva é contra casamento gay
    A DISCUSSÂO NO FACEBOOK:
    “Em relação ao casamento, o casamento é uma instituição de pessoas de sexos diferentes. Uma instituição pensada há milhares de anos. Não tenho uma posição favorável ”

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    há 36 minutos · CurtirCurtir (desfazer)Roberto Muniz Dias Não queremos um casamento nos moldes hetressexuais. Isto é fato. Nós queremos as mesmas seguranças jurídicas.Outro fato. Ela não é contra a maré de mudanças sociais. Estas são inevitáveis.
    há 30 minutos · CurtirCurtir (desfazer)Roberto Muniz Dias Oi. Tiago.Você leu a entrevista dela na revista JUNIOR? JUNIOR: A senhora já se posicionou a favor do reconhecimento de direitos por meio da união civil entre pessoas do mesmo sexo, mas porque não é a favor do casamento entre casais assim?
    M…ARINA: Por objeção de consciência. Mas, como tenho dito, minha posição contrária ao casamento não quer dizer que não seja favorável à garantia de uma série de direitos, que hoje são negados às pessoas do mesmo sexo que vivem um relacionamento estável. Sou favorável ao direito à herança, ao plano de saúde conjunto, ao acompanhamento em caso de deslocamento para outra cidade para cumprir função pública, ao acompanhamento em caso de internação, entre outros. Como presidente, trabalharei para que todas as pessoas tenham acesso a políticas públicas que assegurem condições de vida dignas, independente de credo, raça ou condição sexual.
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    há 20 minutos · CurtirCurtir (desfazer)Tiago Miranda ‎@Roberto É um atraso de vida essa opinião dela. Até a ARGENTINA está à frente do Brasil. Que infelicidade governantes que levam seus valores religiosos adiante num país laico. Fico triste por isso.
    há 14 minutos · CurtirCurtir (desfazer)Roberto Muniz Dias Será que a Cristina Kistner não tem suas idiosincrasias? Marina não está contra os pontos mais importantes de nosso pleito!
    há 11 minutos · CurtirCurtir (desfazer)Tiago Miranda Eu não poderia votar na Marina, porque desse valor/ponto eu não abro mão.
    há 8 minutos · CurtirCurtir (desfazer)Roberto Muniz Dias Você deve ter motivos para não votar nesse ou naquele candidato. Isto faz parte da consciência ao assumir o valor da sua cidadania, com o escopo de dar valor ao seu voto. E aí reside a democracia!
    Vejo a questão sob outros aspecto. Como qua…lquer outro voto, cada diferença deve ser respeitada. Espero que seu candidato assuma o mesmo compromisso que o seu.Ver mais
    há 2 minutos · CurtirCurtir (desfazer)

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