Camille Paglia versus Lady Gaga

Camille Paglia

Lady Gaga

Hoje em dia num mundo mais do que rendido ao pop, a transformação de Lady Gaga numa diva, num ícone da música pop é por demais um exagero de uma geração sem muito referencial.    

 Não vou dizer que não gosto dela, mas reputo tanto  “ado for nothing.” Ela tem sua importância para a ressureição do pop, vez que as verdadeiras diva envelheceram, mas não perderam a coroa. De qualquer forma, Lady Gaga segurou o bastão da corrida. Cher está velha, Madonna está virando uma entidade mística; Aguilera foi abafada pela onda de repetir os moldes de Gaga; Kylie é Kylie- não se pode comparar. Mas voltando a Dama Gaga, tanto é sua falta de Avant Gard que uma de suas últimas inspirações- pois há cultura pop também na moda- para confirmação de seu estilo, foi o surrealismo- dântico-esdrúxulo adotado em seu vestido para premiação do VMA. Pura falta de bom senso – todos concordaram. Tudo por conta de um editorial de moda para um fotógrafo japonês que repercutiu bem; então abusando de seu respaldo junto a comunidade na assunção de seu valor como formadora de opinião, ela repete o famigerado vestido de carne.  Foram apenas alguns minutos sob a pele de cordeiro, ou de vaca, ou de veado, ou de cabrito, ou de qualquer outro animal, para ela revelar sua falta de senso para com o público que queria ver mais uma de suas bizarrices.    

  

Carne de primeira ou de segunda?

Aparte isso, li recentemente um artigo de Camille Paglia na The Sunday Times Magazine, fazendo verdadeira apologia às avessas, pedindo para demolir Lady Gaga; e ainda a definindo como “um ser assexual, uma cópia misturada que seduziu a geração da internet.” Desnecessário, dizer ou falar sobre o currículo desta antifeminista, autora do consagrado Sexual Personae: Art and Decadence from Nefertiti to Emily Dickinson. Ela ainda deu um apelido a Gaga: “A diva do dejà vu.” E eu assino embaixo. E sei das represálias de muitas pessoas, mas é o que penso. Dias desses, assisti ao show do The Queen e vi algumas das extravagâncias de Fred Mercury sendo repetidas por Lady Gaga: as roupas, o jogo de cena, o piano. Eu já falei aqui de repaginação da arte, de apropriação, de paródia. E para mim, apesar de seu talento latente para música e canto, acho a tentativa de Gaga apenas uma reinvenção do já feito. A nova geração da internet, que Paglia se referia, está desprovida dos referencias; pensam que o novo é autêntico. É apenas um déjà vu.

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