Vamos deixar a Terra e seguir rumo ao espaço?

Quando quis direcionar meu dirigível para a órbita de mercúrio pareceu ideia de maluco. Lá era muito quente, alguns diziam. Parecia-me remota mesmo essa possibilidade. Mas a terra em que vivemos parece estar ruindo; o tempo parece venenoso e onde estão os beija-flores? Não os vejo mais. Estamos morrendo mais rápido apesar da maior expectativa de vida. Estamos mais preocupados com a vida do vizinho do que com o nosso lixo que não separamos da forma mais adequada. E será que terei que me preocupar com o lixo dos outros lá em mercúrio? Sim; porque eles devem ser mais civilizados do que a gente que elabora leis e contratos. Há uma ordem natural das coisas, eu soube. Tudo agindo de forma estabilizada como se a preservação da utilidade das coisas fosse mais importante que o ser humano, mas sem esquecer que a humanidade deles está no respeito das grandes leis naturais. É apenas especulação que li na internet. Viver em mercúrio é possível, dizia a capa. E não estou maluco. A bem da verdade, nunca estive tão certo como agora. Não é mais apenas uma divagação da minha escrita maluca. Sempre tive medo dos astros; do tamanho, das forças de atração. Eu entendia as leis da física, mas sempre soube que seria apenas uma tentativa de um pensador de explicar, com nossa lógica, a empregabilidade das coisas que escolhemos para viver ao nosso redor. Seria apenas uma questão de acomodação do pensamento. Parece que o homem tem inventado todas essas coisas de agora, aperfeiçoadas pela tecnologia, com o intuito de utilizarmos para esta viagem presente. Tudo foi feito para o planeta incerto. Mas é o espaço nossa nova tentativa de vida. Os novos colonizadores estão vindo. Mas não quero pensar nisso. A antecipação de uma maluquice é a melhor forma de enfrentamento.

Por aqui, vejo o movimento de pessoas, de grandes massas de pessoas atrás de terra boa; de ar mais úmido, de civilidade, de paz. As grandes massas se movimentam como os grandes dinossauros. Grandes pisadas, grandes perdas. Os corpos sobre a terra para alimentar nada. Nada vai sobrar dessa falta de altruísmo. De que adiantará minha plástica de correção de imperfeição que somente eu enxergo em meu semblante triste? Nada valerá a pena, a não ser que seja para suprir necessidades básicas. – Vamos partir?

O alarme foi disparado. Estou ajustando as coordenadas de meu dirigível. A vida na terra está ficando insustentável. Cadê o ar?  Onde estão as pessoas humanas? Talvez elas residam em algum lugar distante; como se fossem um anteparo da luz que emitimos aqui neste mundo de luz própria. Então, será isso? Teremos nosso reflexo melhorado em alguma atmosfera desconhecida; uma vida paralela e melhor desenvolvida?

Estamos eu e Hawking na mesma espaçonave, mas ele insiste para que eu não deva me comunicar com os outros lá fora. No entanto, como poderei lidar com essa nova jornada sem o auxílio da troca? Podemos ir até lá sem falar o que queremos; vida nova, abrigo. Hawking e eu conjugamos do mesmo pensamento de qualquer forma. Temos que sair para o espaço. Por enquanto ele me segue rumo a mercúrio. Se os mercurianos não forem amistosos, seguiremos rumo a qualquer estrela do espaço. E se por ventura encontrarmos lugar novo, vou chamá-lo de Nova Terra.

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