Mais um gay é morto

 

Mal a miscelânea de novelas, a nova ti-ti-ti, começou e a tragédia já foi anunciada. O núcleo de protagonistas foi revelado no primeiro capítulo. O que não ficou despercebido, obviamente, foi a presença do casal gay vivido pelos atores André Archete e Gustavo Leão ( salvo enganos). Mal o desenho de uma relação estável e verdadeira foi delineado, mostrando como a rotina de um casal gay é mais comum do que se imagina, e, de repente, a tragédia dá fim ao casal gay- mais uma vez-, em mais uma novela brasileira- enquanto isso nos EUA o primeiro beijo gay já saiu; a Argentina aprovou o casamento gay. Então me pergunto, por que esse artifício? Seria covardia? Seria medo de adentrar nesse mundo normal da convivência onde reside o amor em sua essência- assim como em qualquer outra relação de afeto e respeito- e definição? Trazendo um pouco para a seara da roteirização de telenovelas, será falta de criatividade para desenrolar essa trama sem cair no lugar comum caricato? Pois este nicho tem sido descrito por uma gama de personagens caricatos que apelam para o humorismo preconceituoso em cima do gay afetado. Apenas o tipo caricato, afetado tem sobrevivido. Por quê? Antes, de mais nada, não tenho objeções contra essa exposição, até porque faz parte de nosso mundo as nuances dos sexos. No entanto, não vejo a representação do gay que trabalha em escritório, que é chefe de empresas, que é funcionário público, que tem família, enfim aquele que sai desse estereótipo comum a que o público esta acostumado a asisitir. Matar um personagem rico é a maneira mais clara de se revelar a falta de criatividade para um autor. Eu já fiz isso com alguns de meus personagens. A falta de criatividade opera nesse mister quando o autor já não consegue dar voz a seu personagem, preferindo calá-lo diante de um capricho ignóbil. A grande novela é aquela que apela para os tipos mais comuns, aqueles que existem sem camuflagem. Poderia eu passar horas a falar de exemplos tantos na teledramaturgia. Morrer é conseqüência do futuro de uma personagem, mas apenas quando a novela acaba. A história continua em nossas mentes. Talvez o autor argumente que a morte de um dos personagens do casal gay vai trazer o drama adequado para intensificar o papel do cônjuge supérstite. Mas histórias de amor solitário já existem a torto a direito nessa arte. Personagens densos se constroem num monólogo da dor da perda de um grande amor. Mas há amor também na constância do casamento. E como é lindo o amor vívido, ratificado todo o dia. E o fato de esta novela em epígrafe estrear com tais tipos, deveria reforçá-los da forma mais natural, apenas deixando-os existir. Sei que a trama vai desenrolar diversos aspectos: solidão, amor incondicional, fidelidade, respeito… tudo pos mortem. Que pena. Esperamos, pelo menos, que essa história seja bem escrita e que esse personagem sobrevivente dê conta do papel.

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Um comentário em “Mais um gay é morto

  1. Não gosto de novela não. A última que eu assisti foi na minha adolescência, obviamente por causa do ócio da idade, e chamava-se A Viagem. Até boazinha, por sinal…

    Só espero que a Globo não repita a estratégia infame de “curar gays” no final desta novela, como andou fazendo recentemente. Tenho para mim que essa idéia vem da cúpula da emissora que deve estar sofrendo pressão da igreja. Manipulaçãozinha barata….

    Ah, vc deve ter recebido minha atualização sobre a campanha do Censo 2010…dá uma força e coloca o banner aqui tb.

    Bjsss

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