Sobre o amar de Carpinejar

Por duas vezes, tenho me deparado com os livros de Carpinejar.

Sinto-me, às vezes, um pouco resistente as essas leituras muito centradas numa ideologia do amor heterossexualizado, voltado às infinitas declarações do amor de um homem a uma mulher- até mesmo a Florbela Spanca, tenho me afastado por conta de um princípio sob o mesmo viés, falemos assim. Mas foi muita coincidência o fato de defrontar com os livros dele. O primeiro foi Mulher Perdigueira. A capa não me interessou; não por conta da silueta feminina- nada de aversão, de medo, de algo reprimido-, não gostei por causa do cachorro tatuado nas costas da mulher. Pensei na mulher como raça, como um pedigre; uma pureza digna das vontades do escritor. Deixei de lado os contos que já premiaram o escritor com o Jabuti em 2009.

No entanto, foi difícil não se emocionar com o Amor Esquece de Começar e já no primeiro conto, sobre dar um tempo nas relações, ele faz ponderações sobre o fato de se dar um tempo a alguém; como isto é mortífero, como é maléfico. Ele ainda suplanta a idéia de que dar um tempo é uma medida racional para um relacionamento em crise.

No entanto, o que mais me distanciava de Fabrício foi o que mais deixou-me próximo, a poesia na prosa de seus contos; a sinestesia certa das palavras combináveis que revelam a sutileza com ele se presta a falar do amor, da falta dele, da ausência dele. Gostei dessa forma simples e poética de falar sobre sentimentos tão sólidos que se pulverizam na atmosfera cândida de uma mensagem leve.

Ele consegue aliviar a dor de uma partida com as lembranças doces e amargas sempre as comparando as coisas mais simples de nossa vida, da rotina das coisas despercebidas. Desnecessário falar de suas impressões sobre o universo feminino. Mas de longe isso o torna chato, pelo contrário, ele se enche de uma melodia onírica nesse eterno conjugar de prosa e poesia. Fiquei maravilhado com essa doce maneira heterossexual de ver um mundo menos masculino, ou seja, uma visão mais romântica do que há de carnal e de compulsivo, mostrando um sentimento alheio a essas coisas terrenas e bicromáticas.

Acho que vou parar mais para lê-lo.

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