Na Natureza nada se perde,nada se cria, tudo se parodia.

O novo clipe de Christina Aguilera trouxe à tona uma questão que é recorrente, pelo menos no cenário literário. Lembro bem das aulas de literatura comparada nas quais o professor falava das releituras, paródias e apropriações cuja função é aprimorar,repaginar, incrementar o texto base. E me lembro dos exemplos das poesias de Gonçalves Dias, sendo re-utilizados. A sua célebre Canção de Exílio foi transformada por vários artistas como Casimiro de Abreu; Canto de Regresso à PátriaOswald de Andrade; Europa, França e BahiaCarlos Drummond de Andrade; Nova Canção do ExílioCarlos Drummond de Andrade; Canção do ExílioMurilo Mendes; Canção do ExpedicionárioGuilherme de Almeida; Uma CançãoMário Quintana; Jogos Florais I e II – Antônio Carlos de Brito (Cacaso); Canção de Exílio FacilitadaJosé Paulo Pais; Lisboa: AventurasJosé Paulo Pais; Sabiá – Letra de Chico Buarque de Holanda e música de Antônio Carlos Jobim; Terra das PalmeirasTaiguara.E em nenhuma dessas intervenções houve depreciação ou empobrecimento do trabalho;e outra, nem por isso a  a figura de Carlos Drumond restou desgastada ou abalada por conta de ter parodiado a original. Mas deixando de lado a questão catedrática e nivelando para o campo de atuação dos meros mortais, e ainda lembrando que do princípio de Antoine Lavoisier “Na Natureza nada se perde,nada se cria, tudo se transforma.”

Lady Gaga, não inventou a roda, talvez tenha somente utilizado suas formas para compor suas produções cubistas, ou como querem os especialistas de plantão atribuir-lhe um gagaísmo artísitico. De fato, ela veio para movimentar e dar novos ares ao cenário pop que já não era mais reinado de Madonna, perdida em seus afazeres de mãe, ativista pró-adoção de crianças carentes e se refazendo de sua separação, assumindo amores de verão com modelos. Enfim, estava a mesmice; então a Lady Gaga apareceu como, em poucos tempo de carreira, um ícone da cena pop atual. Mas como ser ícone de uma geração que bebe de tudo que já foi feito? Se não estou mal informado sobre as tirinhas do cenário pop, Grace Jones apareceu dizendo à imprensa que Lady Gaga havia imitado seu estilo. E como não poderia ser difirente, Lady Gaga não inventou a roda de fato. Ela se apropriou, parodiou estilos já existentes não criando nada de novo, e sim reinventando Madonna, Marilym Manson, e não assumidamente a Grace Jones. Pois bem, hoje estava lendo uma reportagem do colunista James Cimino na Folha Online na qual ele comentava a estratégia de Xtina Aguilera ter mencionado, tanto na letra da música, como nas imagens, cenas de videos clips de Madonna, Lady Gaga e de George Michael.  E novamente, batemos na tecla da paródia, apropriação e de nada vale essa menção de que o trabalho de uma ou de outra ser , ou deixar de ter o mérito nas releituras que fazem. Na minha opinião nada tem-se feito de tão novo e original. A história tem criado algumas Divas e elas funcionam como verdadeiros bebedouros donde toda essa descendência de artistas são verdadeiros tributários de algum modo.

Falar em mérito é matéria para os precursores; apenas a eles devemos a honra da criação, da matéria-prima. Cada um desses novos ícones é a vitalidade e a potencilaidade de representar uma geração e uma conjuntura, nada além. Mas mesmo sendo todos(as) tributários de alguém, de alguma leitura, de algum artista, podemos falar em talento. Aí sim, podemos bombardear os meios de comunicação com nossos achismos sobre quem tem ou não tem talento,  vocação, voz, ânimo e originalidade. E nessa cadeia de alimentação artística, podemos elencar numa escala hierárquica aqueles dos quais toda essa gama de novos artistas são tributários. Madonna- sem ser defensor da artista- é a verdadeira fonte para essas novas Divas de uma forma ou de outra; na escala vem outras que não precisam ser citadas por conta de cada uma delas ter seu histórico profissional e sua carreira artística consolidados.

Na minha opinião, Chritina Aguilera veio preencher esse vácuo que  estava cada vez maior e profundo, do qual só se ouvia o eco de gritos e gemidos de artistas a quem se atribuem o valor de verdadeiros deuses da música pop. Estava farto da exposição desgastante de Beyoncé, as extravagâncias nonsene de Gaga- e nem mencionei o rostinho lindo de Britney-  sendo que cada uma tem sua importância no atual cenário do mundo pop. Mas, sinceramente, a potencialidade vocal e a maturidade de Xtina Aguilera vieram dar novo gás a esta mesmice previsível de super clipes e ocas originalidades.

Eu gosto das cantoras.

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2 comentários em “Na Natureza nada se perde,nada se cria, tudo se parodia.

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