ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

 

Devo confessar que não gostei do Alice no país das Maravilhas de Tim Burton, em que pese toda a tecnologia 3D envolvida nessa produção. Não vi nada demais, senão os comentários das crianças que sentaram atrás de mim e que se deliciaram com as coisas que saiam da tela, chegavam mais perto e que podiam ser tocadas com a mão. Mas nada de real, apenas a imaginação do 3D. E por falar em imaginação, o filme de Tim Burton acrescenta apenas poucos apelos à obra de Lewis Carroll já repleta de significações e fantasias das fábulas e contos de fada. E Alice não passa de um conto de fadas recheado de conotações psicológicas – ou quiçá de devaneios próprios do autor-, mas que se enquadra perfeitamente nos moldes das histórias que ouvimos quando crianças.

O mundo é recriado em situações esdrúxulas, mas que reportam à realidade de forma fantástica. Tanto é que desejos bastante mundanos, como raiva, medo, o contexto maniqueísta revelam a imaginação como forma de superar problemas que deixamos na realidade (o não submundo). E uma coisa leva a outra; neste diapasão está calcada toda a obra de Bruno Bettelheim o qual explicita sobejamente essa questão da psicanálise dos contos de fadas. No entanto, não sei por que motivo ele não retratou Alice em seu mencionado livro. No entanto alguns paradigmas de seu pensamento estão claramente definido nos complexos de imaturidade, a puberdade e a entrada no mundo adulto; as resposabiliades- Alice é prometida em casamento forçoso-; a falta do pai, etc.

Segundo Bettelheim a obtenção de conhecimento divide nossa personalidade em dois, e isso fica bem claro nas divisões do filme A Rainha de Copas ( Vermelho ) e a Rainha Branca ( A Pureza); ou seja “ o caos vermelho do emoções desenfreadas, o id; e a pureza branca de nossa consciência, o superego…A condição adulta só pode ser alcançada quando essas contradições internas são resolvidas e realiza-se um novo despertar do ego maduro, em que vermelho e branco coexistem harmonicamente.” E esses conflitos são resolvidos com maestria por Alice e ela realiza de forma contundente, resolvendo problemas em uma só ação. Quando ela desfere o golpe no dragão da Rainha Vermelha, ela dá fim a o julgo da rainha má e com a degolação do dragão, soluciona o problema do quesito edipiano, ao revés, livrando -se futuramente do sacrifício do casamento arranjado. O filme é cheio de belezas estranhas, animais falantes- próprios do animismo infantil- e a surrealidade dos diálogos. A Alice tem sonhos recorrentes e retorna a Wonderland para superar e atingir a maioridade, tudo realizado dentro do mundo maluco e mágico que o Autor e Diretor nos transportam. Porém, não me convenceu de nada, senão pela possibilidade de ver o chapéu do chapeleiro maluco voar perto de mim, ao alcance da mão; assim me juntando às crianças atrás de mim. Elas ainda a acreditar que a vida é cheia de coelhos malucos a lhes indicar buracos e caminhos alternativos em suas vidas; elas ainda acreditam que uma espada vai desferir golpes mortais aos monstros que aparecem em suas vidas.

No entanto, o mundo real é muito mais cheio de monstros palpáveis. Mas vale a pena assistir para mais uma vez observar a versatilidade de Johnny Depp.

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