A única entrevista de Clarice

É difícil essa definição  do que sinto agora. Ter visto Clarice falada, falando, falando de si, foi  muito estranho. Ela fuma, pausa,pensa nas palavras que vêm simples e sem escolha. Está morta, não se autodenomina escritora profissional. Quando do sucesso de seus livros ela não se deu conta de sua importância.

Ela olha com olhar de um criminoso: pensativa e fria. Mas ela mesma disse que estava morta. Ela fala com dificuldade, com sotaque de nordestino, misturado com um ar aristocrático europeu. Ela fala de si com um grande arrependimento como se o fato de escrever fosse sua própria clausura.

Mas ela é cômica e cheia de vida ao mesmo tempo. Mãos calejadas e espírito subversivo. Ela é tímida e ousada. Mas me assustou  de forma iluminadora. Talvez uma empatia de reflexo refletido.

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2 comentários em “A única entrevista de Clarice

  1. Eu tô vendo essa entrevista, acho que vi três partes no YouTube. Hoje ou amanhã eu termino. Foi bom ver ela, eu passei a admirá-la mais ainda. Como você disse: “Talvez uma empatia de reflexo refletido.” Ela tava meio cansada acho que é por causa da doença, que eu não sei qual é. Adorei aquela frase: “Sou tímida e ousada ao mesmo tempo.” Eita mulher talentosa né… Quero ler a biografia dela.

  2. De fato, Ela era uma mulher talentosa.
    Então, Ela estava cansada, doente. Eu não sabia, mas confirma seu olhar taciturno e seu humor tristonho.
    Mas sobressai a artista e escritora diletante.
    Obrigado pelo comentário.

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