Quero a morte

Quero a morte.

Mas não como o fim, um fim.

Quero-a como o nascimento de algo vivo depois dela

Como folha decídua que vira húmus, que vira flor.

Eu quero a morte de minha parte podre

E que umedeça; que cresça e fortaleça em mim a flor.

Na suporto mais essa pedra

Essa dor tão grande quanto a rocha da montanha

A intransponível dor de ser essa pedra

Que de nada vira flor. Vira pó, mas não flor

Por isso quero a morte!

Não quero mais dizer sim pra muitas pedras

Tudo que em mim rui e morre sempre.

Às vezes, tudo morre mas nasce

Quero nascer, renascer, quiçá voltar atrás.

Perdão? Quem sabe!

Errar e apagar; riscar e borrar e apagar.

As palavras soltas no ar; a verborragia jogada ao ar.

E apagar, apagar…

Fazer tudo morrer, morrer.

E a dor de cabeça que não para

Não volta minha consciência

E penso em apagar; desdizer… pedir perdão.

Quero morrer antes de a raiva vir

Quero a morte dentro de um vidro

E enxergar como fazer para matá-la

Sem ar, sem vida, sem ódio, com o perdão.

Apagar toda essa sorte de pedras no caminho e flores de caixão.

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