Baby Love

baby            Quando a Assistente Social perguntou :

– Por que você não tenta realizar esse sonho com uma mulher?

          Manu engoliu seu orgulho e respondeu, inteligentemente, que não queria atrelar este sonho a outra pessoa pois estava cansado de tentar buscar a pessoa certa. A assistente social respondeu com um sorriso sincero de quem havia entendido o porquê, sinalizando com um sutil menear de cabeça. Nesse momento senti-me tão estranho porque aquilo havia acontecido comigo uma vez, mas situação era um pouco diferente porque eu estava sendo avaliado como um ser estranho a uma nova família.

            Aquela cena ficou estática em minha memória enquanto o filme continuava sua suis generis trajetória. Então a Assitente pediu a Manu que pudesse conhecer os outros cômodos da casa. Gentilmente, ele mostrou toda a casa situada em Belleville, uma região de colorida concentração multi-étnica, cercada por duas grandes comunidades de origem chinesa. Tudo ia bem até a despedida da Assistente Social. Ela estava convencida de que aquele ambiente seria ideal. Manu adentrava a casa comemorando, quando a campainha toca. Era a Assistente Social que havia se esquecido de cobrar as cópias solicitadas. Então os dois entraram novamente no interior da casa. Enquanto Manu procurava pelos documentos numa escrivaninha, deixa, descuidadamente, que seja vista uma foto em que beijava outro homem- Phelipe, seu companheiro. Manu assumiu sua homossexualidade- para meu espanto a França de Sarkozis ainda é provinciana- mesmo assim a resposta da Assistente Social decepcionou o público. Assim começa a história de Baby Love.

            Manu é um pediatra que, em que pese a idéia de que a rotina cansa, adora crianças; tanto que almeja imensamente ter um filho. Esse desejo não é dividido pelo companheiro Phelipe, o qual ameaça deixar Manu caso este leve esta história adiante.

(…)

             A caminho do quarto, depois de uma semana atribulada o assunto vem à baila novamente:

-Phelipe, entrei com o pedido de adoção. Semana que vem a Assistente Social nos visitará.

Isso foi o bastante para firmar a decisão de Phelipe, que diante da resolução de Manu em adotar uma criança, decidiu deixá-lo sozinho.

            Nesse instante, o filme começa a mostrar todas as peripécias que Manu enfrenta para adotar uma criança. Num primeiro instante, tenta convencer a melhor amiga, que é ginecologista, a se tornar uma barriga de aluguel. Sem obter êxito, começa a procurar em sites de relacionamentos casais de lésbicas interessadas em ter filhos.Logo após uma cansativa série de entrevistas, Ele percebe o quão é difícil conciliar interesses.

(…)

            Manu recebe uma ligação de Fina- uma imigrante ilegal argentina.

            No começo do filme há uma cena em o Manu e Phelipe , atrasados para uma ceia de Natal, batem no carro dessa moça e prometem que no outro dia ligariam para ela para resolver a questão da batida. Fina, então liga para cobrar o dinheiro do conserto. Quando se encontram num café , Manu repassa a quantia devida e começa a sentir curiosidade pela moça. Acaba descobrindo que ela estava sem visto e sem emprego aparentemente. Daí, surge um interesse em Manu que a convidá para ser barriga de aluguel.

(…)

            Fina, já ambientada na casa, a convite do pediatra, começa a participar da vida de Manu. Numa certa altura do filme- depois de ver várias cenas em que os dois começavam a ensaiar uma amizade-, percebemos que a garota havia ido longe demais.

Ela havia se apaixonado. Manu estava solteiro e carente. Não deu outra: os dois transaram. A cena peca pela realidade, pois mostra um Manu completamente conhecedor da máquina do prazer sexual feminino, revelando uma pequena falha- uma vez que Manu é um autêntico homossexual. A crítica vem apenas revelar uma falha na composição do personagem. Uma vez gay, o contato com o sexo feminino deveria menos espontâneo e tão forte.

            Fina oferece-se para ser barriga de aluguel. Manu descobre-se aspérmico. Phelipe- a pedido de Manu- oferece seu esperma para fecundar Fina. Fiona engravida. Marca-se o casamento como moeda de troca pela boa vontade de Fina em ser mãe. O circo está armado.

            Depois de toda essa tempestade nas vidas dos personagens, algumas coisas começam a dar errado. Fina, aprofunda sua paixão por Manu; começa a se delinear uma aproximação entre Manu e Phelipe. Este, depois de ter se relacionado com outra pessoa, ficou decepcionado ao saber que os “outros” o achavam muito velho e obscuro. Depois disso, com tantas vidas em completo desalinho, muita carência em jogo e o ciúme pairando no ar, alguém tem que dar rumo às coisas. Então Fina, mesmo grávida, some por um momento. Manu e Phelipe retornam a viver juntos. Fina, reaparece numa ligação. Manu e Phelipe aparecem num hospital – numa cena que também peca pela falta de veracidade-e auxiliam no parto que parece uma dor de barriga de Fina.

            Na porta do hospital , Fina cumpre a sua promessa e deixa a criança- Zelie – sob os cuidados dos dois pais. E novamente some.

  

(…)

            O bom do filme fica sempre para o final. Os personagens parecem se arrepender de seus erros e começam a repensar suas vidas. O engraçado é que nenhum personagem aqui começou acertando . E , de fato, o que aprendi, resumo agora:

1) Com Manu aprendi que devemos sempre perseguir a realização dos sonhos. No entanto, para isso devemos- enquanto casal-, considerar todas as possibilidades e não sustentar cegamente o sonho como uma verdadeira redenção. Tudo deve ser sopesado.

2) Com Phelipe aprendi que podemos se mais tolerante e transigentes conosco e com os outros. O diálogo é sempre uma boa arma quando não temos argumentos.

3)Com Fina aprendi que não devemos confundir os sentimentos de gratidão e amor; tampouco paixão.

            Vale a pena mencionar que os personagens são retratados como pessoas comuns sem o caricaturismo de personagens efeminados, ressalta-se a questão de forma humana, como deve ser.

            O filme é um bom entretenimento para uma tarde de domingo, sem falar nas tomadas- nada comum – de uma Paris suburbana e,ainda assim, charmosa.

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por Roberto Muniz Dias Postado em Sem categoria Com a tag

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